A Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro
Rio diminui número de policiais militares nas ruas a partir de hoje
O Estado do Rio de Janeiro terá menos policiais nas ruas a partir desta segunda-feira (4). Isso porque a Polícia Militar decidiu reduzir o número de vagas ofertadas pelo RAS (Regime Adicional de Serviço) de 1.550 para 620. Pelo programa, que é voluntário, os PMs fazem horas extras para suprir o déficit de agentes nas ruas.
O motivo da diminuição de vagas, segundo PMs ouvidos pela reportagem, é a falta de recursos para o pagamento das horas extras por parte do governo do Estado. A corporação, no entanto, nega esta versão e afirma que as vagas cortadas ficavam ociosas.
"A medida vai incentivar a segurança ilegal, que é feita para empresas. O que a gente sabe é que vagas foram cortadas, porque o governo não tem como pagar as horas extras. O pior disso tudo é que com menos policiais nas ruas, a criminalidade vai aumentar muito", opinou um sargento lotado no Batalhão de Policiamento Rodoviário, que atua na alameda São Boaventura, em Niterói. "O RAS supria os buracos deixados por falta de efetivo."
Para outro policial, que atua no Complexo do Alemão, na zona norte do Rio, a disputa dos PMs para trabalhar nos horários de folga ficará ainda mais acirrada. "Antes dessa medida, o serviço já estava bastante concorrido. Muitas vezes a gente entrava no sistema, e as vagas estavam todas preenchidas. Será que só o governo não percebe que, se quem prende sai de cena, a tendência é aumentar a criminalidade? ", questionou o praça.
Todas as vagas para tal serviço foram extintas nos batalhões da Tijuca e Olaria, na zona norte da capital fluminense, no batalhão do município de Santo Antônio de Pádua, e no Grupamento de Policiamento Transportado em Ônibus Urbano.
Na contramão da redução de vagas, a criminalidade tem aumentado nessas áreas. Na área do 16º BPM (Olaria), por exemplo, que atende aos complexos da Penha e do Alemão, o número de roubos subiu. No primeiro trimestre do ano passado, foram registrados 1.266 casos deste tipo de crime --incluindo roubo a transeunte, celular, residência, e estabelecimento comercial. Já no primeiro trimestre deste ano, o número subiu para 1.400. A maior parte foi roubo de celular, que cresceu 114% no período.
Outro batalhão que também terá seu efetivo bastante afetado será o 12º, em Niterói. A unidade, que tinha 120 vagas para o RAS agora terá apenas 20. Entre os crimes que mais cresceram na região também está o roubo. Foram 1.656 casos no primeiro trimestre do ano passado contra 1.867 casos no mesmo período deste ano.
A assessoria de imprensa da Polícia Militar informou que "a redução no RAS não prejudicará o patrulhamento", já que um estudo foi feito para redimensionar o efetivo em todo o Estado. "O policiamento está sendo distribuído para ser mais eficaz e ter mais qualidade. As reduções foram feitas apenas no RAS voluntário", informa trecho do documento.
Fonte: http://policialbr.ning.com/?xg_source=msg_mes_network#ixzz3ZBrulf2N
Delegacias do Rio de Janeiro ficam fechadas durante a madrugada
As portas de vidro temperado da 36ª DP, a delegacia do bairro de Santa Cruz, na zona oeste do Rio, estavam trancadas às 4h10 da quinta-feira (30). No interior, havia luzes acesas, mas sem vestígios de policiais ou atendentes.
Na mesma madrugada, a Folha encontrou outras três delegacias fechadas, algumas às escuras. Ninguém apareceu à porta, apesar da presença da reportagem.
Segundo relato de policiais à Folha, sob condição de anonimato, a razão que levou à decisão de encerrar o expediente nesse horário foi a falta de segurança.
Desde o início do ano, a Ouvidoria da Polícia recebe queixas sobre delegacias fechadas, até com cadeados, justamente em áreas com altos índices de criminalidade.
Santa Cruz é uma área dominada por milicianos. Sobressai na estatística local o aumento de desaparecidos: 80 pessoas no primeiro trimestre de 2015, contra 39 no mesmo período de 2014.
Existem 42 delegacias na cidade. Entre elas, 15 estão em áreas consideradas de risco, sendo duas em favelas (Complexo do Alemão, na zona norte, e Rocinha, na zona sul).
A Folha visitou 11 delas durante a madrugada de quinta. Além da 36ª DP, também estavam fechadas: 30ª DP, Marechal Hermes (zona oeste), 31ª DP, Ricardo de Albuquerque (zona norte) e 33ª DP, Realengo (zona oeste).
Somadas, as quatro unidades têm atribuição sobre 15 bairros, onde vivem cerca de 750 mil pessoas –13% dos habitantes da cidade.
"Quando passo em frente à delegacia à noite vejo as portas fechadas, sem movimento algum", disse o funcionário público Aderval Silva Gonçalves, 53, que, há 40 anos mora a poucos metros da DP de Marechal Hermes.
Diante da delegacia a Folha encontrou carros da polícia usados como barricadas. O local estava às escuras.
Em todos bairros visitados, o índice de roubos de carros e a pessoas também subiu em 2015 em relação a 2014.
A Corregedoria da Polícia Civil informou que vai instaurar um procedimento para investigar o caso.
A Folha apurou que, há duas semanas, o delegado José Pedro Costa, diretor da Polícia Civil, responsável pelas delegacias da capital, comunicou aos agentes que não aceitaria tal prática.
Chegou a alertar sobre a orientação da ouvidoria para que os denunciantes enviassem fotos das delegacias sem expediente nas madrugadas.
Existem também relatos de que algumas delegacias são fechadas para que seus funcionários possam dormir.
A assessoria da Polícia Civil informou apenas que pessoas foram atendidas no dia 30, entre meia-noite e 3h. A Folha esteve nas DPs fechadas entre 2h55 e 4h10.
Fonte; Folha de São Paulo
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