Congresso derruba veto à impressão de voto pela urna eletrônica
Dilma vetou trecho da reforma política que previa voto impresso. De acordo com o TSE, isso geraria custos de R$ 1,8 bilhão.
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O
Congresso Nacional decidiu, na noite desta quarta-feira (18), derrubar o
veto da presidente Dilma Rousseff ao trecho da reforma política que
previa a impressão, pela urna eletrônica, do registro do voto do
eleitor.
Segundo o projeto, esse comprovante seria depositado em
um local lacrado após a confirmação pelo eleitor de que a impressão
estava correta. Ao justificar o veto, Dilma argumentou que o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) manifestou-se contrariamente à sanção do item
porque isso geria "altos custos", com impacto de R$ 1,8 bilhão.
Primeiro, a Câmara apreciou o veto. Foram 368 votos pela derrubada, 50
pela manutenção e uma abstenção. Eram necessários ao menos 257 votos
contrários ao veto. No Senado, também foi alcançado o mínimo necessário
de 41 votos pela derrubada. Ao todo, foram 56 votos pela derrubada e 5
pela manutenção. Para a derrubar de um veto, é necessário que as duas
casas tomem a decisão nesse sentido.
O líder do PT no Senado,
Humberto Costa (PE), criticou a emissão de recibo nas urnas e destacou
que isso vai gerar despesas. “Esse projeto é inconstitucional, aliado ao
custo adicional que isso vai promover”, afirmou.
Já o senador
Randolfe Rodrigues (Rede-AP) defendeu a derrubada do veto. Para ele, a
impressão de comprovante nas urnas vai dar “transparência” ao processo
eleitoral. “É um instrumento que vai melhorar o sistema político e dar
mais transparência às eleições”, declarou.
Na mesma linha, o
senador Aécio Neves (PSDB-MG) defendeu a emissão de recibo, para que o
resultado eleitoral possa ser conferido, se houver auditoria determinada
pela Justiça Eleitoral.
“Considero a urna eletrônica um passo
muito importante. O que se busca aqui é um aprimoramento a mais. Hoje,
pesquisas mostram que oito em cada 10 eleitores acham positivo que numa
eventualidade, determinada por juiz eleitoral, possa haver a conferência
dos votos”, afirmou.
Doação empresarial
Mais
cedo, o Congresso decidiu manter o veto da presidente Dilma Rousseff a
trecho da reforma política que permitia a doação de empresas a partidos
políticos. O veto de Dilma atendeu a uma decisão do Supremo Tribunal
Federal (STF), do dia 17 de setembro, de declarar inconstitucional o
financiamento empresarial de campanha.
A doação de pessoas
físicas continua permitida, num limite de até 10% de seu rendimento no
ano anterior à eleição. O artigo do projeto de reforma política que
trata de doação de empresas e que teve o veto mantido diz o seguinte:
"Doações e contribuições de pessoas jurídicas para campanhas eleitorais
poderão ser feitas para os partidos políticos a partir do registro dos
comitês financeiros dos partidos ou coligações".
Ao justificar o
veto, a presidente Dilma Rousseff se baseou na decisão Supremo. "A
possibilidade de doações e contribuições por pessoas jurídicas a
partidos políticos e campanhas eleitorais, que seriam regulamentadas por
esses dispositivos, confrontaria a igualdade política e os princípios
republicano e democrático, como decidiu o Supremo Tribunal Federal -
STF", diz a justificativa.
Outros vetos
Nesta
quarta, os deputados também mantiveram outros dois vetos da presidente
Dilma Rousseff e derrubaram outro. Um dos vetos mantidos excluiu a
extensão da política de reajuste real do salário mínimo para todos os
aposentados e pensionistas. A regra de aumento do mínimo consiste na
variação do Produto Interno Bruto (PIB) de dois anos anteriores, mais a
inflação.
O governo batalhava para manter o veto com o argumento
de que a extensão das correções para aposentadorias geraria um gasto
adicional de R$ 300 milhões em 2016. Nos próximos quatro anos, a despesa
somaria R$ 11 bilhões, de acordo com dados do Ministério do
Planejamento.
Outro veto preservado impede a aplicação de
alíquota diferenciada sobre a folha de pagamento do setor de vestuário. O
projeto aprovado pelos deputados previa alíquota de 1,5% sobre o
faturamento. Com o veto, a alíquota passa a ser de 2,5%. Os deputados
mantiveram esse veto, por entender que reduziria a arrecadação do
governo.
Na noite de terça (17), os parlamentares mantiveram o
veto de Dilma ao reajuste de servidores do Judiciário, um dos temas que
mais preocupavam o governo. O custo da correção salarial seria de R$ 5,3
bilhões no ano que vem, de acordo com cálculo do Ministério do
Planejamento. Em quatro anos, até 2019, o custo total seria de R$ 36,2
bilhões.
O único veto derrubado é o que extinguia o prazo de 15
dias para que os bancos repassem 70% dos valores de depósitos judiciais
aos estados, municípios e ao Distrito Federal. Esse prazo de 15 dias
constava da proposta inicial aprovada pelo Legislativo, mas acabou
vetado pelo governo sob o argumento de que a nova lei não previa um
período para que as instituições financeiras desenvolvessem a tecnologia
necessária para implementar as regras, “o que levaria a severa
dificuldade de sua concretização”.
FONTE: G1
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